Banho de lua: banhistas escolhem noite para um mergulho

Banho de lua: banhistas escolhem noite para um mergulho

Barra Praia é destino de estudantes e pessoas que não têm tempo durante o dia, mas também querem aproveitar o Verão Verão em Salvador é aquela época em que as praias bombam de dia, mas também depois que o sol se põe. E, à noite, a Barra é imbatível entre os banhistas, praticantes de esportes, fãs de luau e até a galera da meditação. É o caso da engenheira civil Bruna Pedreira, de 25 anos. Moradora de Brotas, ela adora aproveitar a noite no Porto da Barra. “O legal desse horário é o calor ameno, sem o sol. E a água fica quentinha, além de ter menos pessoas”, afirma. “Imagina fazer um luau com a praia lotada como é durante o dia? Sem condições”, brinca. Foto: Renato Santana/CORREIO O Porto da Barra é a escolha de parte da população que prefere esperar o sol se pôr para cair no mar

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Já o estudante de Geologia Eresson Neves, 26, conta que aproveita a visita que faz aos tios, que moram na região, para se refrescar nas águas do Porto. Diz que prefere a noite, pois é o momento em que tem disponibilidade e considera mais tranquilo. “É bom dar um ‘tchibum’ para esfriar e relaxar o corpo. Escolho a noite por conta da faculdade e do trabalho, que tomam meu dia. E a quantidade de pessoas que é menor”, explica. A ausência do sol é outro atrativo para quem gosta do banho noturno ou prefere se exercitar à beira-mar. O estudante de Jornalismo Gabriel Rodrigues, 22, participa, há cerca de um ano, de um grupo que joga vôlei na areia. Segundo o estudante, o esporte funciona como válvula de escape dentro da rotina com faculdade e estágio. Ele afirma que optaria pela prática noturna, mesmo que tivesse disponibilidade durante o dia. “Prefiro assim, porque não ficamos expostos ao sol. Durante o dia é muito mais exaustivo”, justifica. Em geral, o grupo se encontra às sextas e aos domingos, a partir das 19h, e leva as partidas até as 23h ou até a disposição acabar. De acordo com a dermatologista Andrea Botto, a opção pela prática de exercícios à noite é uma forma de se expor menos a riscos como desidratação, manchas na pele e até mesmo câncer. No entanto, existe uma desvantagem: “Não há exposição aos raios ultravioleta para a síntese de vitamina D, tão importante para a saúde”, ressalta a especialista. Foto: Renato Santana/CORREIO Sem sol, sem tanto calor e sem muita gente: são os motivos de quem frequenta as areias da Barra à noite (Foto: Renato Santana/CORREIO) Possibilidades O produtor musical Adrian Pereyra, 33, não é tanto da areia. Ele prefere o Porto para praticar corrida quase que diariamente. “Todo ano eu saio da Itália para curtir o Verão baiano e não deixo de me exercitar à noite, horário em que o sol está mais fraco”, explica. Ele sai no fim da tarde do Rio Vermelho, onde fica hospedado, e aproveita para assistir ao pôr do sol enquanto se exercita. Já a estudante de Engenharia Ambiental Gabriela Lopes, 22, vai ao local há cerca de quatro anos, sempre à noite, com intuito de meditar. “É uma ótima oportunidade para entrar em contato com a natureza e ouvir o barulho do mar”, diz. Ela conta que costuma ir uma vez por mês ao deck do Porto da Barra, ao lado do Forte de Santa Maria, para estar em harmonia com a lua e a natureza. O encontro, organizado pela ONG Arte de Viver, é gratuito e aberto ao público. Tem um momento de acolhimento, outro de meditação e uma roda de conversa. Tudo dura cerca de uma hora. No bate-papo, são discutidos os efeitos da lua no organismo humano e a importância de estar em harmonia com o astro. “Gosto muito da experiência, não só por meditar, mas pelo ambiente. É uma coisa diferente e podemos inspirar outras pessoas a ocuparem esses espaços no período da noite”, destaca. Foto: Renato Santana/CORREIO Robson Oliveira promove encontros de praticantes de mergulho e de SUP à noite (Foto: Renato Santana/CORREIO) Na água Além dos que ficam na areia, tem quem faça esportes como canoagem, Stand Up Paddle e até mesmo mergulho. “Mergulhar à noite tem outros desafios da falta de luz, você vê as espécies que têm hábitos noturnos como moreias e camarões, além das cores dos corais. Sob a luz artificial, eles brilham mais”, explica Robson Oliveira, dono da Submerso Sup Dive, empresa que aluga pranchas (R$ 30/hora), canoas (R$ 40/hora a tradicional e R$ 150 a transparente) e equipamento de mergulho (R$ 150/hora com um grupo). Uma vez no mês, sempre durante a lua cheia, a empresa também organiza um passeio noturno de SUP, que sai da Barra e acaba no Museu de Arte Moderna, no Solar do Unhão. Só podem participar do passeio, que custa R$ 30 para quem tem prancha e R$ 80 para quem não tem, quem já tem experiência. Para desbravar o fundo do mar à noite é necessário ter certificação. Um curso de mergulho na empresa de Robson custa R$ 1.450. A professora universitária Karla Brunet, 46, mergulha há 21 anos, pratica canoa havaiana desde março de 2017 e já até trabalhou de divemaster (uma espécie de supervisora que guia mergulhadores) acompanhando grupos noturnos. Ela conta que começou na canoagem depois que viu uma chamada para uma expedição no rio Amazonas, em que teria que remar durante 11 dias, de Santarém a Belém. Karla diz que costuma fazer canoagem à noite por conta da rotina atarefada durante o dia. “As pessoas sempre perguntam se é perigoso, se tenho medo. Nunca senti nenhum problema. Mas teve um dia que o mar estava muito agitado, e claro que ondas grandes de noite dão uma adrenalina extra”, relembra. Foto: Renato Santana/CORREIO As amigas Bruna Magalhães e Dandara Moreira aproveitam o clima mais ameno para tocar um som e fazer um luau (Foto: Renato Santana/CORREIO) Cuidados Por conta da baixa luminosidade, é necessária atenção redobrada. “Há correntes nas praias que podem levar banhistas mais ao fundo ou em direção às laterais e, à noite, há uma certa dificuldade em encontrar um ponto de referência para verificar se está ou não em uma corrente”, diz a oceanógrafa Ana Cecília Albergaria. Ela lembra que praias com rochas no fundo ou regiões de costões rochosos podem aumentar o risco de lesões. “Sugiro não mergulhar de cabeça, evitar costões rochosos, evitar locais em que não consiga tocar o chão e evitar ir à praia sozinho”, aconselha. A atenção precisa ser redobrada, também, porque à noite não tem guarda-vidas no local, de acordo com o 13º Grupamento de Bombeiros Militar (GMAR), que monitora a região. Na terra, quem garante a segurança dos frequentadores é a 11ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). Em nota, a PM afirma que há equipes de policiais atuando na Operação Barra, em uma base móvel e viaturas. Foto: Renato Santana/CORREIO Foto: Renato Santana/CORREIO Serviços A região é cheia de bares e restaurantes. No Oásis do Porto, a porção de pititinga frita vem com farofa e vinagrete e custa R$ 20,90, enquanto a cerveja gelada (600 ml) custa a partir de R$ 6,90. O bar fica no Largo do Porto da Barra e fecha às 21h. De sobremesa, a Sorvete da Bahia oferece 24 sabores, cada bola, no cascalho ou no copo, custa R$ 7. Só fecha 23h. O restaurante Village Novo (Av. Sete de Setembro, 3.659) tem música ao vivo sexta, sábado e domingo e serve pratos executivos como filé de peixe grelhado a partir de R$ 25. Funciona até 23h30. O Tudo Azul Restaurante Suisso-Brasileiro, além de pratos da culinária baiana, tem sabores gringos, como a linguiça alemã branca, petisco de R$ 22. Fora as baianas de acarajé e os vendedores ambulantes de água de coco, refrigerante, cerveja e salgados.

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